História do Rock Gospel
May 4, '07 3:05 PMfor everyone
Retrospectiva e perspectiva
Em meio ao saudosismo que acompanha uma virada de milênio e diante da conseqüente avalanche de retrospectivas que estamos vendo, sinto-me compelido a fazer também uma breve retrospectiva do White Metal, movimento musical que, embora seja muito novo historicamente, vem exercendo um papel de destacada importância na transmissão da mensagem cristã.
Ao propor uma retrospectiva, não penso apenas em uma evocação das origens e da evolução do White Metal, mas, acima de tudo, creio na imprescindibilidade de que as lições obtidas em todos estes anos de luta do movimento sejam utilizadas para se traçarem perspectivas para o White no milênio que se inicia, a fim de que estratégias sejam propostas e possa se reconhecer novas dificuldades e desafios.
De início, voltemos às raízes do White metal, o que implica, necessariamente, em reverenciar duas bandas: Petra e Stryper. Digo, sem hesitação, que por detrás da vastidão atual da cena White, existem anos de luta revolucionária destas duas bandas. A banda Petra, fundada em 1972, foi a primeira de rock cristão e, ao lado da Rez Band, originou, sem grande alarde ou repercussão, um movimento denominado “Christian rock”, que dista uma década do advento do White Metal propriamente dito. Talvez seja por isso que não se costuma estabelecer relação direta entre o movimento White e o Petra, banda que, aliás, sempre fez um rock bem mais dócil do que o Heavy das bandas classicamente associadas ao White. No entanto, deve-se lembrar que o Petra, diante uma resistência árdua e voraz, foi responsável pela abertura de um caminho promissor para o rock cristão, sem o qual o White nunca teria acontecido da forma vibrante que aconteceu. Ao associar, pioneiramente, rock e cristianismo e mostrar a viabilidade de tal associação, o Petra deu um golpe contundente numa espécie de conservadorismo músico-religioso que, sem fundamento bíblico algum, não admitia a possibilidade de se fazer rock cristão, como se rock e cristianismo fossem coisas irreversivelmente opostas. O Petra iniciou a quebra deste conceito preconceituoso e infundado, restaurando e transformando vidas através da mensagem cristã contida em suas músicas rock.
Bem, se o Petra tem uma inestimável importância no que diz respeito às origens do rock cristão, o Stryper não tem menor importância no que diz respeito à consolidação e expansão do mesmo. Aliás, o legado do Stryper para o rock cristão foi tão extenso, revolucionário e abrangente que o surgimento do White Metal, em meados da década de 80, se deve especialmente á banda em questão, uma vez que foi esta a primeira banda que fundiu claramente Heavy Metal e cristianismo, até em relação ao visual. Coube ao Stryper conferir ao rock cristão (agora representado pelo White Metal) uma dimensão e uma proporção jamais imaginadas anteriormente.
Como conseqüência ou como parte da revolução promovida pelo Stryper, inúmeras bandas White surgiram ainda na década de 80. Whitecross, Barren Cross, Holy Soldier, Bride e Deliverance são as mais notórias. Daí em diante, já na década de 90, verificou-se uma expansão crescente do White Metal por todo o mundo, tanto como estilo musical quanto como movimento cristão. Vertentes extremas do Rock (como Death/Trash metal) foram incorporadas ao White e bandas de qualidade inatacável, como o Mortification e o Tourniquet, surgiram impulsionando ainda mais o White. No Brasil, desde os tempos das bandas belo-horizontinas The Joke e Saved até os dias atuais - de Antidemon, Stauros e cia – pode-se verificar que, apesar de árduas dificuldades e restrições impostas pelo mercado, o White nacional vem, gradativamente, conquistando um público e um espaço maiores.
Hoje, com um alcance considerável em todo o mundo, o White Metal é uma realidade inconteste e não há como negar seu potencial musical e, porque não, comercial. Tudo isto é muito positivo, certo? Talvez não, talvez isto represente um perigo e é neste ponto que eu queria chegar. A virada de milênio, símbolo de recomeço e de mudança, nos impele a refletir sobre os rumos que se tem dado ao movimento White. Nesta reflexão, talvez cheguemos à conclusão de que Cristo, a razão de ser do White Metal, tem, sido, muitas vezes, relegado à condição de mero coadjuvante de um movimento que pode estar perdendo a noção de sua existência, de suas origens. Ao longo dos últimos anos, lamentavelmente, vêm-se constatando que a sedução da indústria secular tem desvirtuado o propósito de muitas bandas White. E é ainda mais lamentável constatar que o movimento White tem se tornado uma religião e um ídolo para muitos, como se a ‘instituição’ White Metal, em si mesma, tivesse algum poder ou pudesse operar alguma coisa. Como disse, sabiamente, Undarkgoat (vocalista da banda de black metal cristã Death Poems), “é patético ver essas pessoas que estão nisso só pelo movimento. Sabem o que é White Metal, mas não sabem nada sobre a Bíblia, sabem quem é Dale Thompson (vocal do Bride) e Steve Rowe (vocal do Mortification), mas não sabem quem foi Mordecai e Joel, dentre outros homens da Bíblia”. Além de patético, isso é preocupante, pois tais pessoas não se apercebem da extrema seriedade da coisa e ainda brincam com a extrema responsabilidade que Deus coloca sobre o movimento. Como eu já disse em outra oportunidade, “O White Metal não é nada mais que a manifestação dos propósitos de Cristo para a música Rock; o movimento White, por excelência, vem de Cristo e visa a Cristo e, portanto, jamais teria acontecido sem Ele”.
Neste novo milênio, é emergencial que todo o movimento White volte os olhos novamente para Cristo, ciente de que Ele é o único meio e o único fim do White Metal genuíno. Certo é que, mais do que nunca, surgirão dificuldades e tentações, que, aliás, só poderão ser vencidas se o movimento, coeso, retornar à simplicidade do evangelho, levando diligentemente a mensagem da cruz através do White. E não tenhais dúvida que nem sucesso, nem fama e nem dinheiro, se compara àquilo que Deus têm reservado para o White Metal. Deus, com certeza, têm um plano tremendo para cumprir por meio do movimento White no novo milênio. Cabe a nós, acatar este plano...
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